Sábado, 29 de Agosto de 2026

Leitura da Carta da 20ª Jornada Lei Maria da Penha encerra debates e define propostas para fortalecer políticas de proteção às mulheres

Autor: Secretaria de Comunicação - imprensa@tjms.jus.br

 

Fotografia em plano geral do plenário de um tribunal durante sessão solene. À esquerda, uma mulher de vestido verde discursa em um púlpito acrílico com o brasão do Poder Judiciário. À sua frente, várias autoridades estão acomodadas ao longo de uma bancada em curva de madeira clara. Ao fundo, em patamar elevado, dois homens de terno estão sentados na mesa diretora, ladeados por três bandeiras oficiais verticais. Um arranjo de flores brancas e lilases ornamenta a base da bancada principal, e em primeiro plano, à direita, sobressai um tapete vermelho.

Com a leitura da Carta da 20ª Jornada Lei Maria da Penha, realizada na tarde desta sexta-feira, 28 de agosto, no Plenário do Tribunal Pleno do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, foi encerrada a programação do evento que reuniu magistrados, integrantes do sistema de justiça, representantes de instituições públicas e especialistas de diversas regiões do país para debater o aprimoramento das ações de enfrentamento à violência contra mulheres e meninas.

 

A solenidade de encerramento contou com a participação do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Luiz Edson Fachin; da conselheira do CNJ e presidente da Comissão Permanente de Políticas de Prevenção às Vítimas de Violência, Testemunhas e de Vulneráveis, Desa. Jaceguara Dantas; e do presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, Des. Dorival Renato Pavan.

 

Realizada nos dias 27 e 28 de agosto, em Campo Grande, a 20ª Jornada Lei Maria da Penha celebrou os 20 anos da iniciativa e promoveu reflexões sobre os desafios contemporâneos para a efetivação da Política Judiciária Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres. Ao longo dos dois dias, os participantes debateram temas relacionados à proteção das vítimas, ao aprimoramento da atuação judicial, à prevenção da violência e ao fortalecimento da rede de atendimento.

 

Em sua manifestação no encerramento, o ministro Luiz Edson Fachin ressaltou que, embora a Lei Maria da Penha tenha promovido profundas transformações jurídicas e culturais no Brasil ao longo dos últimos 20 anos, o enfrentamento à violência contra as mulheres ainda exige atenção permanente e atuação efetiva do Estado.

 

Ao sintetizar os debates realizados durante a Jornada, Fachin apontou três diretrizes que devem orientar o fortalecimento das políticas de enfrentamento à violência de gênero: a atuação baseada em dados e evidências, a adoção de uma perspectiva interseccional e o fortalecimento da escuta e do diálogo.

 

O ministro também destacou a importância da realização da Jornada em Mato Grosso do Sul, considerando as particularidades do Estado, marcado pela condição de fronteira, pela diversidade étnica e por abrigar uma das maiores populações indígenas do país. Para o ministro, a complexidade dessas realidades exige respostas igualmente profundas e integradas para problemas estruturais da sociedade brasileira.

 

Ao final, o presidente do STF e do CNJ enfatizou o dever do Estado de atuar preventivamente para proteger mulheres e meninas. “O Estado precisa chegar antes que o luto se instale”, enfatizou, ao defender políticas capazes de garantir dignidade, autonomia, liberdade e segurança às mulheres.

 

A Carta - A carta aprovada ao final dos trabalhos consolida as propostas construídas durante as oficinas e debates realizados ao longo da jornada. O documento destaca o compromisso do Poder Judiciário com as diretrizes estabelecidas pela Lei Maria da Penha, pelas resoluções do CNJ e pelos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil para a promoção dos direitos das mulheres e o enfrentamento das diversas formas de violência de gênero.

 

Entre as principais deliberações está a proposta para que o CNJ fomente o fortalecimento e a expansão do Programa Brasil Lilás em todo o país, promovendo o compartilhamento de boas práticas entre os tribunais e ampliando ações educativas voltadas à prevenção da violência contra mulheres e meninas, com abordagem interseccional e atenção às questões de gênero, raça e etnia.

 

Também foram aprovadas sugestões para ampliar a inclusão de conteúdos relacionados aos direitos das mulheres e à igualdade de gênero nos currículos da educação básica; promover a integração eletrônica das medidas protetivas de urgência por meio da Plataforma Digital do Poder Judiciário Brasileiro (PDPJ-Br); aperfeiçoar ferramentas como o Fonar Eletrônico; e fortalecer a capacitação de magistrados, servidores, oficiais de justiça e equipes multidisciplinares que atuam em casos envolvendo violência doméstica e familiar.

 

A carta ainda destaca a necessidade de aprofundar o enfrentamento à litigância abusiva, à violência processual e institucional praticadas contra mulheres e meninas, bem como propõe medidas para aprimorar a produção de dados estatísticos, fortalecer as Coordenadorias Estaduais da Mulher, aperfeiçoar o acompanhamento das medidas protetivas e ampliar o acesso à Justiça para mulheres em situação de vulnerabilidade.

 

Entre as recomendações estão ações voltadas a populações indígenas, quilombolas, migrantes, mulheres com deficiência e moradoras de regiões de difícil acesso, além do fortalecimento dos Pontos de Inclusão Digital como instrumento permanente de acesso aos serviços do Judiciário.

 

Ao aprovar o documento final, a 20ª Jornada Lei Maria da Penha deixou clara a importância da atuação articulada entre os órgãos do sistema de justiça, instituições públicas e sociedade civil para garantir maior efetividade às políticas de prevenção e enfrentamento da violência contra mulheres e meninas, contribuindo para a construção de uma sociedade mais segura, igualitária e livre de discriminação.

 

Confira a íntegra da Carta da 20ª Jornada Lei Maria da Penha no arquivo em anexo ao final.

 

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Autor da notícia: Secretaria de Comunicação - imprensa@tjms.jus.br

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Fonte: Secretaria de Comunicação - imprensa@tjms.jus.br

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