Quarta-Feira, 21 de Outubro de 2026

"Indústria do agro faz valor do campo ficar no Brasil", artigo do presidente da Fiems, Sérgio Longen

Em Mato Grosso do Sul, a transformação industrial elevou em 72% o valor da produção agropecuária

Autor: Por Sérgio Longen, presidente da Fiems

 

Por Sérgio Longen, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems)

Entre a colheita e o mercado, a transformação industrial é o que determina quanto da riqueza gerada pelo agronegócio permanece no país. É nessa etapa que grãos, cana-de-açúcar, madeira e animais se transformam em alimentos, proteínas, biocombustíveis e celulose, agregando valor à matéria-prima, gerando empregos e ampliando as exportações. Essa é a indústria do agro, que tem papel importante na economia brasileira.

Os números mostram o tamanho desse impacto. São Paulo, estado mais industrializado do país, registrou R$ 143,8 bilhões em produção agropecuária em 2023. Depois de processada por usinas, frigoríficos e fábricas de alimentos, essa produção chegou a R$ 431,9 bilhões, um valor agregado de 200%, segundo levantamento do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems). 

Em Mato Grosso do Sul, onde 26% do PIB vem do campo, essa engrenagem também tem gerado grande relevância. Em 2023, a produção de R$ 81 bilhões gerada pela atividade agropecuária alcançou R$ 139,6 bilhões após o processamento e a industrialização, uma agregação de valor de 72%. Na região, a indústria do agro responde por 47% do valor bruto da produção industrial local e emprega 81 mil trabalhadores com carteira assinada.

A mesma lógica se reflete no comércio exterior. Em 2025, as exportações da indústria sul-mato-grossense somaram US$ 7,8 bilhões, alta de 14% em relação ao ano anterior. Desse total, 92% vieram da indústria do agro, com destaque para celulose (US$ 3,1 bilhões), carnes (US$ 2,4 bilhões) e açúcar (US$ 783 milhões), que lideram a produção, sendo a China seu principal destino.

Cada cadeia revela uma dimensão desse avanço. O eucalipto dá origem à celulose exportada para 40 países. A cana-de-açúcar e o milho abastecem uma produção de 5 bilhões de litros de etanol por safra e sustentam 34 mil empregos diretos. Na pecuária, a carne bovina ganha destaque com a primeira certificação de carbono neutro do mundo, desenvolvida em Campo Grande. 

A experiência sul-mato-grossense traz uma lição para o país. O Brasil já é referência global em alimentos, proteínas, bioenergia e celulose, e a indústria é a ponte entre essa liderança e uma base industrial mais forte. Ela começa antes da porteira, com máquinas, insumos, energia e tecnologia, e continua depois dela, nos produtos de maior valor que alcançam os mercados internacionais. E existe espaço para avançar ainda mais.

Em um mundo que busca segurança alimentar, transição energética e produtos de origem sustentável, poucos países reúnem essa combinação. Convertê-la em estratégia industrial de longo prazo é uma das maiores oportunidades do Brasil. Quando a produção passa pela indústria, o valor fica em empregos, renda e crescimento.

Artigo publicado no jornal Valor Econômico em 21 de outubro de 2026.

Fonte: Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems)

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